Histórias da Produção – O Trabalho Visual

             3 - O trabalho visual

              Levar a história de Exídium até milhares de pessoas sempre foi um sonho. Em minha adolescência, quando criei a história original, ainda era um sonho impossível, porém mais tarde, aos 28 anos, lancei o meu primeiro livro com 3 amigos, então o sonho impossível se tornou um objetivo muito real em minha vida.

                A experiência de publicar um livro ilustrado já tinha me marcado muito. O Trabalho de ilustração do meu primeiro livro publicado – Warwolf: O Ritual – ocupou uma parte de minha vida, e foi extremamente divertido. Foram 4 anos de trabalhando com o jovem Diego Costa, às vezes à distância, às vezes pessoalmente.

                Num dos entraves do trabalho, após a conclusão do Storyboard, eu cheguei a convidar o artista para morar em minha casa, por uns meses, para terminarmos as artes conceituais. Foram meses inesquecíveis e cheios de sonhos. Eu respirava o projeto, todos os dias, enquanto via as linhas tomando formas e dava sugestões de cores, referências e perspectivas para o talentoso artista que virou um grande amigo.

                O resultado foi um conjunto de artes coloridas e centenas de rascunhos, que foram quase todos aproveitados para a 1ª Edição do livro Warwolf: O ritual (Hoje disponível em livro físico, via mercado Livre no link: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-723532830-livro-warwolf-o-ritual-_JM  e também em E-book pela Amazon: http://www.amazon.com.br/Warwolf-Ritual-Gabriel-G-Sampaio-ebook/dp/B00NQP0NYY ).

Ilustração 2 Warwolf por Diego Costa

banner - artes do Diego

                Depois de ter publicado o meu primeiro livro, de começar a vendê-lo em feiras, e de esgotar toda uma tiragem na Bienal de 2014, a ideia de levar Exídium para o público se tornou muito mais do que um sonho, foi uma necessidade que tomei como prioridade em minha vida.

                Mas não queria escrever um livro com tantos detalhes e repleto de representatividade, sem ter algum impacto visual. Por isso, desde 2014, quando comecei a 4ª e última reescrita da Saga, comecei a procurar novos artistas que poderiam ser parceiros nessa empreitada.

                Hoje, tenho certeza que foi um erro procurar artistas antes de ter o material completo. Pois entregar o texto (ainda mais um texto longo) para o artista que o irá ilustrar, pode se mostrar como um ótimo tipo de teste de parceria.

                Começou então minha busca pelo artista certo, pelo estilo certo e (que estivesse dentro das minhas possibilidades de investimento, claro). Uma busca que se mostrou mais longa e difícil do que eu havia esperado. Se com Warwolf, a parceria com Diego Costa foi um tiro certeiro no escuro, encontrar o ilustrador para Exídium foi um trabalho de testes e empenho, que levou quase 3 anos.

                O primeiro artista que produziu artes para o projeto foi o Santista Alecsander Rezende Naia.

              Abaixo estão os testes que o artista fez e algumas das artes que encomendei.

Técnica: nanquin, aguada de nanquin, com traços soltos e manchas espontâneas
(contato: alexsandernaia@gmail.com)

 

 

O Trabalho do artista que também é escritor ficou muito interessante e expressivo, mas por diversos motivos, não pudemos concluir esse processo.

O Segundo artista que produziu algumas artes para Exídium foi o paulistano Vicente Valentine. Infelizmente, ele realizou apenas esses dois testes, mas por força de outros trabalhos, também não pôde continuar.

O Terceiro artista foi o meu amigo RPGista, Bruno Santana Nascimento, que acabara de se formar em Design pela Universidade Santa Cecília e já trabalhava como animador em um estúdio da região. Seu teste foram estas duas naves.

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Cruzador Lizardia de Magna

Depois de definirmos detalhes, ele topou o desafio de conceber junto comigo, o visual para cada um dos 10 personagens que protagonizam este épico espacial.

O Trabalho com Bruno deu muito certo. E terminou por gerar 20 artes conceituais que formam uma parte importante do livro: O Registro Visual da Enciclopédia Galáctica. Esse trecho, localizado nas últimas páginas de Exídium serve para apresentar as diferenças visuais entre os personagens, dar uma amostra de suas personalidades, poderes e habilidades. Além de mostrar as naves, criaturas e um pouco do estilo de cada povo dos 4 Grandes Reinos Galácticos e do Império de Vyrom.

artes do Bruno

A concepção de cada personagem passou por alguns estágios, e o artista foi muito atencioso em cada um deles. Primeiro eu enviava uma foto de uma pessoa (geralmente um ator ou atriz) como referência visual. Depois discutíamos as roupas, poses e acessórios usados. Bruno ia me enviando seus rascunhos e eu os aprovava. Caso eu não concordasse com as escolhas criativas dele, além de conversar sobre o que não combinava com minhas ideias, eu buscava novas referências e tentava contornar nossas dificuldades.

Armas - Felena

Opções de Armamento da Personagem Feelena

Venn - Opções

Opções de Pose e cabelos para o Primordial Venn

Um exemplo disso foi a concepção da arte do personagem Maylon, o último sobrevivente do planeta Nólva-Pax. Uma curiosidade nesta fase do projeto foi a referência para o rosto e biotipo de Maylon. Ao invés de usar um ator ou modelo famoso, escolhi um aluno meu do 8º Ano, na cidade de Cubatão. Adivinhem o seu nome? Maylon Xavier! Foi esta coincidência que me fez escolher o rosto deste aluno para servir de base ao último Nólvan!  

Maylon - Rascunhos

Outra coisa interessante neste momento muito rico do projeto, foi o uso de alguns rascunhos meus para ajudar o Bruno Santana. Quando eu não encontrava uma referência para naves ou criaturas, eu buscava rascunhá-las ou “fotomontá-las” com artes de outros artistas que eu mesmo encontrava em infinitas buscas na net.

Aqui estão exemplo disso:

 

Aferroador - Desenvolvimento

Desenvolvimento do Desolator

 

Então, enquanto acabávamos o trabalho de concept de personagens, conheci o talentoso Salviano Borges. Durante um Festival de Terror, dentro do Fest Comix, em 2016. Lá ele me mostrou suas artes, conheceu meu trabalho de escritor, comprando o Warwolf e se mostrou interessado em colaborar com o Exídium.

Daí surgiu uma nova parceria, bem diferente das anteriores. Como havia terminado o copydesk (revisão crítica) do livro, mandei fazer uma cópia pelo site de auto-publicação Bookess.com e entreguei o texto completo para Salviano. O trabalho dele seria bem diferente do trabalho de Bruno. Ele teria que escolher os melhores momentos de cada capítulo e criar uma arte em preto e branco para ilustrá-lo.

O teste de Salviano foi a arte de abertura do primeiro capítulo… Tão radical que dispensou outros testes.

pagina 1 exidium

O estilo de Salviano, mais voltado para arte marginal e grafite, sempre buscando impacto, acrescentou muito para o projeto e é uma das coisas de que mais me orgulho no livro. Só fico triste de não ter começado esta parceria antes, pois ao invés de 1 arte por capítulo poderíamos ter 2 ou três. Mas não se pode ter tudo, principalmente quando se é um escritor iniciante e professor de escola pública, o que torna meus recursos limitados.

Assim, mensalmente nos reuníamos para discutir os rascunhos, escolher juntos as melhores cenas de cada capítulo e, claro, para combinarmos os pagamentos pelas artes de cada mês.

Antes e depois

Gif do processo

As artes conceituais de Bruno foram a base para a ilustração de Salviano, junto com algumas outras referências que eu enviei. Um exemplo é esta arte do Capítulo 15 – Sementes da Guerra, que mostra o jovem Maylon, agora convertido em aprendiz de Vyrom, caminhando pela cidade tomada de Thânyan.

Concept + Ilustra

Por fim, gostaria de terminar este relato agradecendo a todos os artistas que se envolveram comigo e com Exídium e à incrível capista Ayu Marques, que ajudaram a tornar o meu sonho de conceber visualmente toda uma galáxia em guerra. Em especial, um agradecimento ao jovem Leonardo Lima que demonstrou muita vontade de ilustrar estes personagens.

Espero que vocês façam uma viagem imaginaria em cada linha, em cada traço de nave, de luz e de sombra destas ilustrações, como eu tenho viajado pelas possibilidades dessa galáxia tão brasileira quanto cada um dos artistas que nela trabalharam.

Gabriel G. Sampaio

Vyrom em Cores

 

 

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